Estudo recomenda ampliação de espaços de deliberação nos processos de formulação orçamentária, controle e avaliação dos gastos públicos

Objetivo da pesquisa foi identificar o melhor arranjo de estrutura organizacional para promover a melhor integração entre os macroprocessos de gestão orçamentária, fiscal e financeira.

A criação de uma instância de notáveis e a instituição de comitê deliberativo para tratar de temas relativos ao Tesouro e Orçamento são as principais recomendações do estudo Arquitetura Organizacional do Orçamento e Tesouro, elaborado com a finalidade de identificar o modelo de estrutura organizacional que melhor integra os macroprocessos de gestão orçamentária, fiscal e financeira. As medidas trariam ganhos pela ampliação dos espaços de deliberação dos processos de formulação orçamentária, controle e avaliação dos gastos públicos, enfatizando a importância da participação conjunta de diferentes atores na tomada de decisão do governo.

Financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o estudo teve como questão de investigação “Qual o melhor arranjo de estrutura organizacional a ser adotado a fim de promover a melhor integração entre os macroprocessos de gestão orçamentária, fiscal e financeira?” Para responder à pergunta, foi feito levantamento de informações sobre como as macrofunções de Orçamento e Tesouro estão dispostas na estrutura organizacional do Ministério da Economia no Brasil e realizado benchmarks com 10 países (Alemanha, Austrália, Canadá, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Peru, Portugal e Reino Unido) sobre o modelo de estrutura organizacional das unidades que exercem funções de Orçamento e Tesouro.

Todas as análises foram comparadas com o modelo brasileiro, que possuí a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e a Secretaria do Orçamento Federal (SOF) como principais unidades responsáveis pelos macroprocessos de gestão orçamentária, fiscal e financeira no Brasil. Desde 2019, ambas as secretarias estão vinculadas a uma mesma unidade (inicialmente Secretaria Especial de Fazenda, depois Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento) dentro do Ministério da Economia, arranjo que, de acordo com nota técnica elaborada pela STN em 2022 citada no estudo, favorece o processo de diálogo e a articulação em busca do equilíbrio e solidez fiscal.

À luz das experiências investigadas, a análise aponta que existem arranjos diversos para realização das atividades de Orçamento e Tesouro. Esses arranjos podem se configurar em dois modelos diferentes, de modo que as estruturas de Orçamento e Tesouro podem ser vinculadas a um mesmo ministério (modelo centralizado) ou subordinadas a ministérios diferentes (modelo descentralizado).

Na maioria dos países estudados, o modelo mais comum para as atividades de Orçamento é o centralizado, com as pastas responsáveis por essas funções abaixo da mesma liderança estratégica. Este arranjo é observado em seis países (Alemanha, Chile, França, Peru, Portugal e Reino Unido). Em outros quatro países estudados (Austrália, Canadá, Espanha e Estado Unidos) foi observada a existência do modelo descentralizado, onde as unidades que exercem as funções de Orçamento e Tesouro estão subordinadas a diferentes ministérios.

Dente as vantagens indicadas do modelo centralizado destaca-se o fortalecimento da visão sistêmica do ciclo orçamentário-financeiro, contribuindo com a integração e a transversalidade da estratégia, dos macroprocessos, dos sistemas e das pessoas, incentivando a eficiência e a inovação. Além disso, de acordo com o estudo, a existência de uma liderança unificada e mediadora potencializa o alinhamento conceitual das atividades e permite dirimir divergências de processos e posições técnicas.

Na perspectiva do modelo descentralizado, destaca-se que os países que adotam esse arranjo fortalecem a especialização e autonomia para o desempenho das atividades de Orçamento e Tesouro, contribuindo com a independência na atuação e nas atribuições das pastas no sentido de gerar pesos e contrapesos (checks and balances).

Além desses pontos, outro aspecto identificado na realização do benchmark nos países selecionados é a divisão das atividades de Tesouro em mais de uma estrutura, sendo comum existirem nesses modelos organizacionais órgão específicos voltados para exercer as funções de Gestão da Dívida Pública e Contabilidade.

Segundo a pesquisa, há uma diversidade de arranjos possíveis que foram identificados a partir do benchmark realizado nos países selecionados, deixando evidente o grande desafio de concepção de modelos organizacionais otimizados, que favoreçam o alcance da estratégia governamental a partir de uma eficiente e bem estruturada gestão orçamentária, financeira e fiscal. Os quadros comparados e as análises desenvolvidas na pesquisa, no entanto, oferecem um panorama geral sobre o tema e podem subsidiar futuros arranjos na estrutura organizacional dos órgãos responsáveis pelos macroprocessos de gestão orçamentária, fiscal e financeira, de forma a alinhá-los às melhores práticas internacionais e possibilitar a geração de mais resultados.

O estudo, realizado entre setembro e novembro de 2022, pode ser acessado em Arquitetura Organizacional do Orçamento e Tesouro (versão completa) e Arquitetura Organizacional do Orçamento e Tesouro (versão sintética).

Fonte:https://www.gov.br/tesouronacional/pt-br/noticias/estudo-recomenda-ampliacao-de-espacos-de-deliberacao-nos-processos-de-formulacao-orcamentaria-controle-e-avaliacao-dos-gastos-publicos

INFORMATIVOS

  • Preenchimento do Censo Escolar é essencial para o planejamento das políticas de transporte escolar

    Saiba mais ...
  • Aplicação da Lei Federal n° 14.133/21

    Saiba mais ...
  • Ajustes do Terceiro Setor que não atendem ao Comunicado GP nº 68/2022

    Saiba mais ...
  • Contabilização da Devolução de Duodécimos

    Saiba mais ...
  • Live debaterá Controle Interno em fiscalizações e no acompanhamento de políticas públicas

    Saiba mais ...
  • ARTIGO: O indispensável planejamento - Sérgio Ciquera Rossi

    Saiba mais ...
  • Dúvidas e ações de implementação do Siafic são abordadas em Seminário Técnico da CNM

    Saiba mais ...
  • CAE aprova projeto que cria transição para queda do FPM e garante efeito imediato do Censo

    Saiba mais ...
  • Instruções sobre a remessa de ajustes do Terceiro Setor na Fase V do Audesp

    Saiba mais ...
  • Interessados no Siafic podem participar dos Seminários Técnicos de 6 de junho

    Saiba mais ...
  • SISTEMA AUDESP – FASE V – Repasses Públicos ao Terceiro Setor – Ajustes

    Saiba mais ...
  • Entidades proibidas de novos repasses

    Saiba mais ...
  • Comissão do Senado aprova plano de trabalho para analisar MP sobre licitações

    Saiba mais ...
  • Como identificar e contabilizar as emendas especiais será o tema do Bate-papo com a CNM desta sexta

    Saiba mais ...
  • Contabilização dos recursos de emendas parlamentares Individuais

    Saiba mais ...